Tenho caixa, mas não tenho lucro?!

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Com toda certeza você já pensou que o dinheiro “excedente” do seu caixa era o seu lucro.

Que, após ter pago as suas despesas fixas, e o capital de giro da empresa o dinheiro que sobrou seria o teu lucro, pois NÃO É!

Se você ainda não conseguiu visualizar bem, é só pensar nas suas finanças pessoais.

Digamos que você receba R$5.000,00 e que tenha de despesas fixas no valor de R$2.000,00 e que tenha parcelas – a serem pagas – da sua geladeira e celular, por exemplo, no valor de R$1.000,00 (as duas). Pela lógica básica, temos:

(+)R$5.000,00 – Salário do Mês

(-)R$2.000,00 – Despesas Fixas

(-)R$1.000,00 – Parcelas do celular e geladeira

Logo, (+)R$2.000,00 nesse mês e você pode pensar: “Nossa! Meu salário rendeu e posso consumir mais ainda!”

No entanto, essa NÃO é a sua realidade por completo.

A sua realidade é que ainda há parcelas da sua geladeira e celular a serem pagas e em um determinado mês houve um excedente maior.

        Seja porque: houve uma diminuição das suas despesas naquele mês, porque houve um aumento do montante do seu salário, outras despesas – presentes no seu orçamento nos últimos tempos – deixam de fazer, enfim, esse excedente existe e isso não significa que ele está “livre”.

Excedente esse que não se caracteriza como “lucro”, pois ainda há parcelas a serem pagas nos meses conseguintes.

Identificando a raiz do problema

Se você tem dinheiro em caixa, mas não tem lucro ou se você não tem e acredita que, por essa razão, não possui lucro, você precisa identificar o seu real problema.

E você deve pensar: “mas esse é o problema!”

Sim, é um problema, mas não o principal deles.

O seu problema podem ser vários, como: má compra de insumos para a operação, o mesmo vale para compras de mercadorias para revenda/venda e ainda, uma distribuição de “lucros”.

Pensando nesse último, teríamos a situação:

De quando aquele dinheiro constava para quitar futuras obrigações, realizar investimentos estratégicos e/ou em ativos, não constam, devido à essa antecipação que foi feita.

Por consequência, quando necessário, esse capital não estará disponível e será retirado do seu destino principal.

Se estivermos falando da sua operação, provavelmente, você irá deixar de pagar algum fornecedor e/ou seu pessoal.

E são nesses cenários que ficamos sem ter o que fazer, tendo em vista que ambos são essenciais!

E a grande maioria dos empresários acaba recorrendo aos empréstimos na pessoa física – com altas taxas de juro e prazos mais curtos – ou financiamentos – taxas mais baixas e prazos mais longos -.

E o que deve ser feito?

Antes de tudo, seguindo o exemplo anterior, é saber se houve, realmente lucro no período.

E um outro erro acontece: confundir o excedente – ou seja, quitar todos os seus custos e despesas do mês, sendo esse o lucro – com ter lucratividade

E o que isso significa?

Significa que esse excedente não se configura na realidade como lucro. Pois o lucro real dele é aquele que é somado o que ele recebeu e receberá, descontado os custos e despesas do mês, mas também, aquelas que estão por vir.

Portanto, essa repartição dos dividendos pode gerar um prejuízo ou um desequilíbrio nas finanças da empresa.

Compreender isso TUDO o que colocamos é o primeiro passo.

Daí em diante, devemos ter consciência de todas as nossas ações e como elas são interdependentes.

Ou seja, se queremos investir em um novo maquinário, reforma no espaço de trabalho, porque em um determinado mês houve um fluxo de caixa positivo, não devemos fazer AINDA.

Devemos atentar se esse é um resultado que realmente se configura como um lucro e, pensando estrategicamente, se esse é o melhor investimento a ser feito.

E se deve ser feito à vista ou à prazo, se devo pegar capitais de terceiros, capital societário, enfim… (assuntos para um outro dia!)

A conclusão disso tudo é: NÃO É O FIM DO MUNDO!

Ter caixa e não ter lucro é solucionável e deve ser entendido e mudado!

Começar pelo começo, definindo as despesas fixas, os custos fixos e variáveis que estão relacionados à sua operação, compreendendo a diferença entre o que é o seu fluxo de caixa (movimentação) e a saúde da sua empresa, relacionar o conhecimento com os fatos do seu cotidiano e então formular um plano de ação!

Parece difícil (e é um pouco, mas nada complicado demais), mas valerá a pena!

E ainda bem que você pode contar com o seu contador para lhe ajudar a compreender e aplicar!

 

 

Por Gabriel Gandra do blog.nucont.com